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    O que o médico pode postar no Instagram: guia da Resolução CFM 2.336/2023

    Antes e depois, preços, selfies, equipamentos e identificação no perfil: o que a Resolução CFM nº 2.336/2023 permite e o que continua proibido na publicidade médica.

    Por Equipe Mote · · 4 min de leitura
    Ilustração de uma médica com o celular na mão, cercada por corações, balões de comentário e um escudo com sinal de aprovado.

    O Instagram virou parte do caminho do paciente: antes de marcar a consulta, ele pesquisa o nome do médico, olha o perfil e tenta entender quem vai atendê-lo. Por isso, muitos médicos querem estar nas redes — e esbarram na mesma dúvida: o que eu posso postar sem ter problema com o CRM?

    A resposta está na Resolução CFM nº 2.336/2023, que atualizou as regras de publicidade médica no Brasil. Neste guia, resumimos o que ela permite, o que continua proibido e o que precisa aparecer no seu perfil.

    O que é a Resolução CFM nº 2.336/2023

    É a norma do Conselho Federal de Medicina que regula a publicidade e a propaganda médica. Ela foi publicada no Diário Oficial da União em 13 de setembro de 2023, entrou em vigor em 11 de março de 2024 e substituiu a antiga Resolução CFM nº 1.974/2011, que era bem mais restritiva.

    A mudança mais importante é de postura: as redes sociais passaram a ser tratadas como um canal legítimo de comunicação do médico, com regras próprias, em vez de um território cheio de proibições genéricas.

    O que o médico pode postar

    Conteúdo educativo

    Continua sendo a base de um bom perfil médico: explicar sintomas, tratamentos, exames e cuidados, desfazer mitos e orientar o paciente. É o tipo de conteúdo que gera confiança e que menos esbarra nas regras.

    Antes e depois

    A resolução passou a permitir imagens de pacientes, inclusive de antes e depois, com finalidade educativa e seguindo critérios:

    • a imagem deve ter relação com a especialidade registrada do médico;
    • deve vir acompanhada de texto educativo, com as indicações terapêuticas e os fatores que podem influenciar negativamente o resultado;
    • o paciente não pode ser identificado;
    • as imagens não podem ser manipuladas, e a demonstração deve considerar que existem evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações possíveis.

    Ou seja: o antes e depois deixa de ser vitrine de resultado e passa a ser conteúdo informativo.

    Preços, formas de pagamento e campanhas

    O médico pode divulgar o valor da consulta, as formas de pagamento e até descontos em campanhas promocionais. O que segue proibido são mecanismos que desvirtuem a medicina, como vendas casadas e premiações.

    Estrutura e equipamentos

    É permitido mostrar o consultório e divulgar os aparelhos e recursos tecnológicos disponíveis, desde que aprovados pela Anvisa.

    Selfies, bastidores e elogios de pacientes

    Selfies e bastidores da rotina estão liberados, desde que sem sensacionalismo ou concorrência desleal. Também é possível repostar elogios de pacientes, de forma sóbria e sem adjetivos que indiquem superioridade em relação a outros profissionais.

    O que continua proibido

    • Prometer ou garantir resultados. A medicina é uma atividade de meio, e não de fim: nada de "resultado garantido" ou insinuações nesse sentido.
    • Sensacionalismo, tom pejorativo ou ofensivo, publicidade enganosa e concorrência desleal.
    • Identificar pacientes em imagens, mesmo nas permitidas.
    • Anunciar que trata órgãos, sistemas ou doenças específicas sem ter o título de especialista registrado (RQE) na área.
    • Vendas casadas, premiações e outras promoções que desvirtuem o objetivo da medicina.

    O que precisa aparecer no seu perfil

    Nas redes sociais mantidas pelo médico, devem constar:

    • nome do médico;
    • número de inscrição no CRM;
    • número do RQE, quando o médico se apresenta como especialista.

    Quem tem pós-graduação lato sensu pode divulgá-la, desde que acompanhada da expressão "NÃO ESPECIALISTA", em caixa alta. Já nos perfis de clínicas e outros estabelecimentos, é preciso identificar o estabelecimento e o diretor técnico-médico.

    Checklist antes de publicar

    1. O post informa ou orienta o paciente, ou só promove?
    2. Há alguma promessa de resultado, mesmo que implícita?
    3. Se houver imagem de paciente: ela é educativa, tem relação com a sua especialidade, traz o texto explicativo e não permite identificar a pessoa?
    4. O tom é sóbrio, sem sensacionalismo nem comparação com colegas?
    5. O perfil mostra nome, CRM e, se for o caso, RQE?

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    Fontes: Resolução CFM nº 2.336/2023 (texto oficial) e CRM-PI: CFM atualiza regras da publicidade médica.

    Este texto é um resumo informativo e não substitui a leitura da resolução nem a orientação do seu Conselho Regional de Medicina.

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